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D-12: Manos do Slim Shady Se Levantam

Você nunca viu o amigo de escola do Michael Jordan esquentando o banco para o Bulls. Nem o melhor amigo do Tom Hanks participando de seus filmes. Então por qual motivo que quando eles conseguem ser famosos, a primeira coisa que a maioria dos rappers fazem é um cd com seus amigos? Ué, porque eles podem.

Mas no caso de Swifty, Proof, Kuniva, Kon Artis e Bizarre, ou seja, D-12, amigos do Eminem, a história é um pouco complicada. A gangue de seis caras (cujos nomes se referem ao ego alternativo de cada um) esteve junta desde meados de 1990, mas somente quando Slim Shady virou uma estrela o D-12 gravou um álbum. O resultado é Devils Night, disco número 1 nas paradas em suas semana de lançamento. Na entrevista dada ao Sway, da MTV americana, os caras mostram como estão preparados para enfrentar a mídia.

Sway: Vocês tiveram que ficar esperando enquanto o Eminem fizesse sua parada. Como se sentem depois de lançar um cd?

Bizarre: Nós nunca ficamos esperando. Nós sempre estávamos fazendo alguma coisa. Kon Artis tava produzindo e nós estávamos no estúdio fazendo coisas. Eu fiz uma parada solo, “Attack Of The Weirdos”. Proof lançou um single. Ele era também o “Unsigned Hype” (Cantor que não é assinado com nenhuma gravadora) da revista Source, campeão de ’99. Swifty fazia parte do grupo Rabeez e Kuniva fazia parte do grupo Da Brigade.

Proof: Em 1994 ou ’95… Eu me encontrei com o Eminem lá em Detroit e eu disse, “Ae, nós precisamos montar um grupo, colocar uns MCs e chamar o grupo de ‘Dirty Dozen.’ Nesse tempo, nós pensamos no filme de guerra de 1967, “The Dirty Dozen” (Dúzia Suja), que era [sobre] brigas com armas. Nós queríamos isso, mas com letras com um jeito de filosofia meio faroeste… Nós tínhamos um membro no nosso grupo chamado Bugz. [Todos os membros mostram a tatuagem do Bugz.] Ele faleceu e seu último pedido foi pra colocar o Swifty num grupo, então nós fizemos… É assim que surgiu o D-12.”

Sway: Dá pra perceber o senso de humor de vocês e que vocês estão juntos a muito tempo. Vocês todos tem seu próprio personagem e são loucos, cada um do seu jeito. Como é trabalhar juntos no estúdio?

Kon Artis: Todo mundo faz sua própria coisa. Em faz batidas começando do nada. Aí eu entro com mais uma batida, e assim agente já tem um conceito rolando. De repente todo mundo começa a escrever e tudo acaba encaixando certinho.

Swifty: Nós escrevemos nossas próprias músicas. Eu posso tipo dizer , “Kon Artis, me dá uma palavra que rima com ‘bacana’.E ele diz algo tipo:”sacana.” A química é muito boa porque nós estamos juntos a muito tempo.

Proof: Se você ouvir as paradas mais antigas do Em, você se toca que ele estava representando os irmãos do Dirty Dozen. Nós sempre estávamos lá. Você tem individualidade, mas no D-12 você pode falar coisas que você normalmente não fala quando você é um artista solo. O Eminem é o Eminem, mas o Slim Shady vem do D-12.

Sway: Você disse que a maioria das letras ofensivas no álbum são baseadas em fatos. Explica isso pra mim, porque na faixa “Revelation” eu ouço “Há três coisas que não deixam eu ser um nazista/ Sou preto, um viado, e meu pai é Liberace.” Isso é verdade?

Bizarre: Isso é verdade, cara. Você não pode ser preto e um viado. Isso são duas das coisas que nazistas odeiam mais.

Proof: Tudo o que nós falamos sabemos por causa da mídia. Agente não tá lá sentado perto de um nazista pra saber o que eles gostam. Agente não tá lá sentado pra saber sobre a avó de alguém sendo estuprada. Isso é tudo mídia, então é disso que agente se baseia, a mídia. Pessoas vão chamar agente de controversos, mas o que falamos vem da TV, dos jornais.

Kon Artis: Nós descobrimos hoje. A mídia não consegue controlar a música Hip-Hop, ponto. A melhor coisa é se você é educado por isso..Você não pode ridicularizar agente por sermos reais, a mídia é real. “Faces Of Death,” (Faces da Morte) é um filme que você pode comprar numa loja. Eu nem consigo assistir aquele filme por 10 minutos. Eu não sou tão nojento. Eu tô apenas tentando educar as pessoas.

Swifty: O que fala mais alto do que palavras?

Sway: O que fala mais alto do que palavras? O que causa mais impacto do que palavras? Percepções.

Proof: Arnold Schwarzenegger, Sylvester Stallone, e Bruce Willis matam 80 pessoas num filme com um pente. Eles nunca recarregam a arma. Como que uma pessoa pode influenciar você verbalmente pra fazer algo mais negativo do que algo que você vê? Meu filho, depois que ele assiste TV, sabe pegar uma arma e fazer “Pá!”. Mas quando você fala isso, verbalmente, uma criança de dois anos não entende.

Sway: Quem de vocês tem crianças? Todos menos o Kuniva. Então, esse álbum, Devils Night, é algo com que você não se importaria se seus filhos ouvissem?

Proof: Meu filho sabe a letra de “Purple Pills.”

Kon Artis: O que seus pais sempre te falam? “Eu prefiro você fazer na minha casa do que fazer nas ruas.” Mas se você estiver fazendo na sua casa, você vai na rua e faz. Qual é a diferença? Se você não sabe em casa, você vai aprender na escola. Eu comecei a aprender a xingar quando eu fui pra escola.

Swifty: Se a maioria dos pais vissem um garotinho pegando uma faca, eles falariam algo do tipo, “Não, não faça isso.” Eles espancariam-o e diriam “Vá para o seu quarto.” Não dizem apenas “Não” e “Vá para o seu quarto.” Você tem que fazer eles aprenderem por que eles não podem pegar a faca.

Bizarre: Pessoas tem medo de coisas que eles não sabem. Quando eles vêem o título do nosso álbum, é automaticamente, Devils Night (Noite dos Demônios). Mas Devils Night é outra maneira de dizer Detroit, porque “Devils Night” é dia 30 de outubro. Todo ano no dia 30 de outubro tem uma celebração em Detroit. A cidade fica agitada e enlouquecida. É a mesma coisa eu falar sobre o Big Apple de alguém que mora em Nova York. É só nosso jeito de dizer “Detroit”. Se pessoas pelo menos perguntassem isso pra nós ao invés de julgar a gente, eles saberiam o que nós estamos dizendo e entenderiam nossas letras.

Sway: Agora a MTV tá passando seu vídeo o “Purple Hills.” [Todo mundo vaia.] Vocês renomearam a música “Purple Hills” porque as letras fazem referência à drogas.

Proof: Agente não tava falando nada sobre pill (pílula)! Agente tá falando sobre um hill (morro)! Pill e hill é diferente. A letra é diferente na versão editada e nós fizemos de propósito para ter certeza que não ofendesse ninguém. Agente fez com que fossem tiradas todas as referências à drogas e tudo mais.

Kon Artis: Ae, sabe o que tá fudido? Eles bliparam o Em falando “ass” (cu) ,mas não bliparam eu falando “ass”, agora. O Blink-182 corre pela praia pelados em seu vídeo!

Sway: Quando vocês vão pra fazer turnê? O Eminem estará presente em todas as datas?

Proof: Nós estaremos no Warped Tour, aí a gente vai pro Japão. Logo estaremos indo pra sua cidade. Eminem estará presente em todas as datas conosco com certeza. Mas uma coisa que agente tá tentando fazer é nos estabelecer como um grupo. Agente não quer estar dependendo dele sempre. Queremos fazer nossa parada, também, e estabelecer isso, porque são duas identidades diferentes em uma. Aí, no futuro, você verá o que a gente tá falando. Nós queremos estabelecer um tempo com o Em e algum tempo sem o Em.

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