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Entrevista do D12 na revista norte americana XXL (Edição de maio de 2004)

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Ser associado tem suas vantagens. Ainda mais quando o seu clube tem a performance mais vendida no Hip Hop. Então você pode esquecer de todas as placas de platina, porque tudo que o grupo do Eminem, o D12, quer é pouco de respeito porra.

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O telefone toca e a secretária eletrônica atende: “Deixe o seu nome e seu telefone após o beep e nós vamos te mandar um pouco de doces e dois livros sobre o Mês da História dos Negros. Qualquer pessoa que quer escrever poemas ou me mandar qualquer discurso, você pode me encontrar no 17305 Rosa Parks Blvd.”.

Bem-vindo a secretária eletrônica do Bizarre. Bizarre está no D12. E dentro desse louco, mundo virado, do grupo, qualquer coisa pode, e normalmente, acontece. Vocês estão avisados.

[O tempo] tá fechado e chovendo. Nem parece que é sexta-feira enquanto você dirige um caminhão novinho alugado pela estrada para um estúdio indescritível em um subúrbio. Adequadamente, o rádio toca “Stan”.

Cobertura das notícias locais hoje foca diretamente no enterro de dois jovens policiais matados enquanto em serviço. A outra grande história é inédita, hoje à noite no Palace of Auburn Hills, do mais novo Detroit Piston, Rasheed Wallace.

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Dentro do espaço seguro para trabalho, jogos old-school de fliperama estão alinhados contra a parede. Do outro lado do quarto, uma pintura da hora de uma boneca inflável nos encara com um olhar bem vívido. Tem arte caseira também, tudo ao redor do lugar. Fotos de xerox brutas, humores de escritório, cabeças de pessoas coladas em fotos de corpos de outras pessoas. A maioria das cabeças pertence a um rapper loiro bem conhecido.

Três do Dirty Dozen [Dúzia Suja] já estão aqui. Swift, vestido de preto igual um ninja, toca no assunto sobre a descrição, que está na mente do Method Man, do Inspectah Deck: Ele está “em algo de tipo agora-você-o vê, agora-não-vê”, um cara, meio que tranqüilo. Kuniva fala com um sotaque meio country [caipira], e vocês podem imaginar ele sendo um delicado filho da puta com as mulheres. Kon Artis é um cara aguçado que tem habilidade com dispositivos. Ele costuma estar nos boards, olhando os monitores das câmeras de segurança ou ocupado se preocupando com sua indecisão.

Bizarre é o próximo que aparece. O rapper gordo que todos chamam de Bizzy é inquestionável, um dos caras mais doente e esquisito que põe sua genuidade em prática (ou na fita da secretária eletrônica). Em pessoa, pelo menos, ele fala baixo. É uma viagem saber o quanto esse cara é normal. Logo depois, Slim Shady chega com uma roupa vermelha da Nike, óculos e uma atitude de vamos-resolver-os-negócios.

Todos estão aqui menos o Proof. Não deveria ser uma surpresa que ele esteja atrasado. Ele acabou de sair da prisão, por causa de um processo que levou do lado de fora de um clube de strip em Dearborn, subúrbio de Detroit, porque estava bêbado. (Ele levou o processo por agredir um policial e por se negar a ir preso). Ele ainda deve serviço comunitário, sessões psicológicas e liberdade condicional. Talvez a entrevista deva começar sem ele.

O novo cd do D12, o D12 World, está pronto. Mas a questão continua: O mundo está preparado para o mundo do D12? Apesar de ter vendido dois milhões de cópias do Devils Night de 2001, os seis MC’s insistem dizer que eles ainda têm algo para provar, que eles merecem ser reconhecidos como uma equipe legítima, diferentes de apenas uma estrela e uma coleção bem-paga de homens feras.

Esse é um momento estranho na América. Uma nação de maníacos de esportes parecem não se importar com os closes do pescoço de peru do cantor de 72 anos do Aerosmith, mas todo mundo engasga com suas fritas de liberdade quando a Janet Jackson mostra um de seus peitos no intervalo do evento do Super Bowl XXXVIII. Com a FCC lançando um novo ataque para “indecência” em entretenimento, o que isso significaria para o grupo D12?

Hmmm. Vamos dar uma olhada mais próxima ao mundo da Jantes, vamos?

XXL: JANET JACKSON MOSTROU SEU PEITO NO SUPER BOWL E AS PESSOAS FICARAM SURPRESAS. ESSE RECENTE MOMENTO CULTURAL AJUDA OU PREJUDICA O D12?

SWIFT: O peitinho da Janet Jackson não prejudica. [Risos]

SLIM: Eles não mostraram o suficiente.

BIZARRE: Você viu o close que deu? Aquela porra era asquerosa, também.

SLIM: Eu acho que aquela porra prejudica sim. Vai foder com a música por um minuto, diante vídeo clipes e o que as pessoas sabem fazer.

BIZARRE: Mas a Lil’ Kim foi para o Grammys com sua porra pra fora, só uma florzinha no peito.

KUNIVA: Eu acho que você tem que ter seus peitos cobertos.

BIZARRE: Eu acho que a Janet Jackson é vista de um modo para ser muito mais do que um ídolo.

SLIM: Não, eu acho que foi porque tinha muitas crianças assistindo o Super Bowl. Que talvez seja o motivo que eles ficaram tão apreensivos sobre isso. Dá um desanimo nas coisas por um minuto, mas nós continuaremos sendo nós. Ainda bem, que nosso primeiro single [“My Band”] não tem nada a ver com isso.

XXL: MAS POLÍTICOS JÁ TE ATACARAM ANTES, IGUAL QUANDO TIVERAM QUE MUDAR “PURPLE PILLS” PARA “PURPLE HILLS” – ISSO INCOMODOU VOCÊS?

SLIM: Isso nos incomodou pra caralho.

BIZARRE: Isso me incomodou. Mas depois que ouvi pequenas crianças cantando, eu preferiria vê-los cantando a versão editada do que a versão suja.

XXL: E VOCÊS LUTARAM POR ISSO ATÉ O FINAL?

BIZARRE: Nós perdemos.

SLIM: Assim, nós poderíamos pegar nossas armas e dizer, “Olha, nós vamos deixar ‘Purple Pills'”. Ai adivinha o que? Não toca nas rádios, não vende cds. Se você quer comer, é isso que tem que fazer. Você muda “pills” para “hills”. É a diferença entre “mills (milhões)” e “bills (notas)”.

XXL: MAS A CONTROVÉRSIA NA MÚSICA PODE PREJUDICAR OU AJUDAR, CERTO? MUITAS VEZES É BOM PARA AS VENDAS.

KON ARTIS: Essa porra já virou moda. É viadagem agora. Você tem um monte de gente fazendo um monte de merda só por fazer. É um cara que só fica zoando todo mundo. 50 já foi nesse caminho com o “How To Rob”. Agora é legal para as pessoas fazerem, porque eles acham que a controvérsia vende. É pura babaquice agora. Não é que era antes, quando nós estouramos. O jeito que nós rimávamos, era o jeito que nós sempre rimamos. Então não vimos isso como, “Vamos chegar falando um monte de merda”.

SLIM: Quando a gente rimava nos dias do Hip Hop Shop… Tem uma diferença entre estar num lugar onde tem 50 pessoas, e você quer falar pra eles umas linhas que fazem eles dizer “ooh” e “ahh”, e quando você vai diante milhões de pessoas e você tá falando sua merda. Depois que você consegue uma gravadora e você tá no auge, você tem que tomar um pouco de cuidado com o que você fala. Então tivemos que seguir esse caminho. Nós fomos empurrados para esse mundo de, “Puta merda! Nós não podemos falar linhas sobre outros rappers que podem ser metáforas e não queremos dizer nada com elas. Isso pode ofender essa pessoa e nós vamos começar uma rixa com essa equipe”. Nós não viemos para causar intrigas com ninguém. Há uma diferença entre controvérsia e fudendo com as mentes das pessoas um pouco, e começar rixas com certas equipes sem motivo e tal.

Proof entra no estúdio e diz que quer pizza.

SLIM: [para o Proof]: Há quanto tempo você tá fora da prisão?

Proof está muito ocupado mastigando e não responde.

SLIM: O tempo suficiente para comer a pizza.

XXL: Proof se mete em muita confusão, ainda mais em clubes de strip. Vocês já avisaram a ele para ficar longe de clubes de strip?

KON ARTIS: Sim, eu falo, mas depois eu vou. Falando nisso, quero ir ao Hot Tamales hoje à noite.

SLIM: A gente fala pro Proof ficar longe dessas porras de cenas, ponto final. Todo dia a gente pensa se vai receber aquela ligação.

KUNIVA: Às vezes nem são os clubes de strip. Eu acredito nele. Às vezes ele tá só de boa e ele se mete em alguma merda.

PROOF: Só ontem, o meu inquilino apanhou.

KUNIVA: Eles botaram a culpa em você?

SLIM: Uh, nós estamos numa entrevista. [Risos]

O resto da entrevista somente tá disponível para quem comprar a revista XXL

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