The Bass Brothers lançam remix oficial de “Infinite” assim como um novo documentário inédito
Em 1996, Eminem lançou “Infinite,” sua estréia solo inauspiciosa. O rapper de 24 anos tinha passado os últimos anos batalhando por toda parte em Detroit, aprimorando o seu ofício em equipes locais e grupos que duraram pouco tempo, como o Soul Intent, e passando tempo no Hip Hop Shop, uma loja onde rappers batalhavam. Em seguida, Eminem foi descoberto por Jeff e Mark Bass, dois produtores que construíram uma reputação modesta com remixes de hip-house de artistas como Madonna e os B-52’s, e atuando como parte do império de George Clinton em P-Funk. Deslumbrados pelo talento do Eminem, o Funky Bass Brothers decidiu lançar uma nova gravadora, a Web Entertainment, para mostrar seu potencial cru. “Infinite” fracassou, vendendo menos de algumas centenas de cópias. No entanto, o projeto ajudou a estabelecer as bases para a carreira do Eminem e os vinis originais hoje valem milhares de dólares.
Duas décadas e centenas de milhões de álbuns vendidos mais tarde, os Bass Brothers estão revisitando o “Infinite.” “Meu irmão e eu fomos produtores executivos do álbum,” diz Jeff, que acrescenta que o Mr. Porter (vulgo Kon Artis do D-12) e Kevin Michael Wilder foram quem realmente produziram as faixas originais. “Como seria ouvir o álbum Infinite sem os samples, e tomar a abordagem que usamos para todas as outras músicas do Eminem nos últimos 17 anos?”
Para descobrirem, eles aplicaram o mesmo tratamento que usaram como co-produtores em sucessos subseqüentes do Eminem como “Lose Yourself,” e reproduziram grande parte do material “Infinite” com instrumentos ao vivo e sem samples. Os novos remixes de algumas faixas do “Infinite” aparecerão em serviços digitais e, em breve, de edição limitada de singles de 7”.
Para comemorar o 20º aniversário do “Infinite,” o Bass Brothers e Kevin Wilder falaram sobre a criação do álbum, o relacionamento do Em com o J Dilla e George Clinton, e onde ele realmente ganhou o nome de “Slim Shady”.
Como conheceu Eminem?
Mark Bass: Eu estava dirigindo em meu carro em ’95 ou ’96 e eu o ouvi na rádio. Era como, “Uau, quem é este?” Ele estava fazendo um microfone aberto com a [programadora da WJLB-FM Lisa Orlando] em Detroit. E eu pensei tipo, “Uau, quem é esse rapaz? Eu tenho que levá-lo ao estúdio.” Foi quando eu liguei para a estação de rádio e perguntei, “Coloque-me no telefone com o cara.” E então, 4 horas da manhã, um grupo de rapazes apareceram no meu estúdio. Era o Marshall e alguns outros caras.
Para mim, Marshall conseguiu juntar rimas rítmicamente que pareciam um solo de bateria. Ele foi capaz de mudar ritmos no meio de suas frases. Ele tinha grandes metáforas. Era inovador. Era novo para mim. Honestamente, eu tive que virar para o [Wilder] e dizer: “Eu acho que devemos fazer isso. Vamos em frente e fazê-lo.” E eu dei a idéia à ele. E aqui estamos hoje.
O que vocês estavam fazendo antes de conhecer o Eminem?
Mark Bass: Antes disso estávamos fazendo um monte de material do George Clinton. Estávamos fazendo remixes para diferentes artistas. Eles eram remixes urbanos do Red Hot Chili Peppers, Madonna, B-52’s… coisas diferentes com um amigo, Ben Grosse, que está em L.A. agora.
Eminem trabalhou com o Funkadelic?
Mark Bass: Apresentei o Eminem ao George Clinton. Lembro-me do George me dizendo: “Fica com esse cara, esse cara é um vencedor.” Na verdade, eles se encontraram muitas vezes depois que o Em realmente estourou. George Clinton foi um dos primeiros artistas de fora que realmente ouviu o rapaz. Até hoje, ainda estamos trabalhando com George, e George – é uma coisa engraçada, George se espelha no Em, e Em se espelha no George. É uma situação realmente interessante.
Como era a cena de hip-hop em Detroit na época?
Mark Bass: Haviam algumas coisas acontecendo … nada que estourou, no entanto. Naquela época era quando J Dilla estava lançando todas as suas coisas. Ele foi muito influente em todo o projeto. J Dilla foi uma grande influência para o Mr. Porter, que trabalhou no álbum com a gente. Detroit é uma cidade pequena.
Dilla e Eminem já trabalharam juntos?
Kevin Wilder: Eu não tenho certeza sobre alguma gravação que eles tenham juntos. Eu acho que foi mais o Mr. Porter que estava trabalhando com o J Dilla, e aprendendo como construir uma música. Foi aí que o Mr. Porter começou… Mas eu não acho que há alguma gravação que [Eminem] tenha feito lá. Eu posso estar errado, eu só estou presumindo, mas eu nunca ouvi nada. Mas eles passaram um tempo juntos, sem dúvidas.
Mark Bass: O Hip Hop Shop era o lugar para todos se reunirem.
Jeff Bass: Denaun Porter foi um produtor incrível. Para um jovem naquela época, ele tinha a sensibilidade. E a combinação do que ele fez com o que o Michael Wilder fez… Eu acho que a combinação do que eles fizeram foi mágico. Não conseguimos fazer com que as pessoas apreciassem o que eles fizeram. Vivemos em Detroit durante toda as nossas vidas. Mantivemos nosso negócio principal em Detroit. A única vez que deixamos Detroit foi para ir à Califórnia em 1998 para nos encontrar com o Jimmy [Iovine] e Dre. Então, 20 anos atrás, era tudo sobre, vamos tirar o máximo de pessoas de Detroit que pudermos, e todo mundo tem uma chance de fazer algo no negócio.
Alguma lembrança específica sobre o álbum?
Kevin Wilder: Eu tinha gravado vários artistas diferentes antes de me deparar com o Marshall, e eu nunca tinha visto alguém tão preciso e perfeccionista como ele era. Vou te dar um exemplo. Ele chegava e fazia uma música, e mandava as vocais pro som. Ele vivia com a música durante toda a noite, e depois me ligaria e diria: “Eu tenho que ir ai e mandar os vocais.” Ele ouvia algo que estava errado. Então ele voltava e regravava os vocais, e ninguém conseguia ouvir uma diferença. Ele ouvia algo que ninguém mais conseguia ouvir. Isso, e o quão cru era, é o que se destaca mais do que qualquer coisa.
Provavelmente, a coisa mais surpreendente em “Infinite” é ouvi-lo rimando, “No meio desta insanidade, eu encontrei o meu cristianismo através de Deus” em “It’s OK”. Eminem não tem sido tão espiritual em suas letras desde então.
Kevin Wilder: Bom, ele estava passando por um momento muito difícil tentando se destacar e fazer com que as pessoas ouvissem ele. E todo mundo no terra sabe sobre suas questões pessoais, porque ele se abriu com isso. Então eu acho que você pode transformar isso em uma música onde ele está derramando seu coração sobre tudo o que estava acontecendo em sua vida.
Qual era o objetivo do “Infinite?” Você quis lançá-lo sozinho ou você queria que alguma gravadora maior desse continuidade?
Mark Bass: Esse foi o sonho de todos, claro. As rádios chegaram a tocar [as músicas] aqui em Detroit, não muito, o que foi um pouco desanimador no época. Nós sabíamos que tínhamos um verdadeiro talento, mas era difícil lançá-lo. Nós conseguimos tocar “Open Mic” e “Tonite” em programas de mixagem.
Kevin Wilder: Os DJ’s estavam curtindo “Tonite,” porque era o mais próximo de um hit de balada. Todo o resto era underground e hardcore. Ou se você voltar para “Backstabbers”, era um pouco descarado, então não daria certo tocar em uma balada.
Você tinha um distribuidor para os vinis e cassetes?
Mark Bass: Não, o distribuidor era nós mesmos. Nós basicamente distribuímos os álbuns. Nós tínhamos alguns vinis, acho que 250 fitas cassete, e nós estávamos empolgados para apenas entregá-los às pessoas, seja no Hip Hop Shop, ou eu me lembro de uns caras do Parliament-Funkadelic que levavam algumas fitas cassetes na estrada com eles, e eles distribuíam para um ou outro. Todo mundo apoiava o Em, mas não sabíamos como fazer a coisa estourar lá fora. Estávamos lutando uma grande batalha.
Jeff Bass: Nós não podíamos vender nada. Não poderíamos ser presos naquela época. Era, tipo, “Oh, aqui vem o rapper branco.” Foi muito difícil lançá-lo no início de nossas carreiras juntos. Então, nossas intenções eram lançar singles como qualquer outra coisa, mas tivemos uma dificuldade de nos livrar do álbum.
Depois do “Infinite,” você começou a trabalhar no “Slim Shady EP.”
Mark Bass: Certo, depois do álbum “Infinite” nós demos um tempo, e foi quando ele voltou com esta pequena tatuagem de “Slim Shady” em seu braço. Ele voltou uma pessoa totalmente diferente. Algo aconteceu com ele, onde ele se transformou em Slim Shady. Eu acho que ele estava sentado no banheiro e algo aconteceu! Quer dizer, ele só decidiu dizer, “Foda-se o mundo”… Estávamos fazendo músicas no projeto do “Infinite,” onde eu estava tentando adaptar às rádios, estávamos tentando manter as coisas um pouco mais limpo, e foi como, porra, não vamos fazê-lo assim. Ele queria fazer o que queria. Então veio o Slim Shady.
Kevin Wilder: Se você voltar, eu sou um co-produtor no álbum “Infinite,” e eu estou listado como “Slim.” Ele entrou no estúdio do [Bassment Sound] em Eight Mile e disse: “Estou roubando seu nome!” E eu disse, “vá em frente! Você pode pegá-lo porque eu não vou fazer nada com ele.” E o resto é história.
Vinte anos depois, qual é a sua opinião sobre o álbum “Infinite?”
Jeff Bass: Bom, a composição foi incrível naquela época. É como qualquer artista que está começando. Se você já ouviu Michael Jackson antes dele ser Michael Jackson ou Prince, eles soavam mais jovens, mas você pode notar que há algo lá. Obviamente, os fãs que comprarem este projeto em particular irão entender. Eles entenderão o por quê… Quando eu ouço Eminem de 20 anos atrás, eu posso ouvir o Eminem hoje. Eu consigo ouvir as nuanças em seu tom, e seu ritmo era insano, e isto é ele começando como um garoto. Reconhecemos que havia algo ali que era especial. Obviamente, o mundo acabou concordando com o que estávamos sentindo.
O single “Infinite (F.B.T. Remix)” foi relançado, e remixado pelos Bass Brothers, e já está entre as faixas mais compradas no iTunes. Aqui no EminemBrasil você pode baixar com exclusividade através do link abaixo. Confira também o documentário inédito acima.

